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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Acontecimento no ano de 1892(3ªParte)

  • Julho,04-D.Amélia recebe a Rosa de Ouro concedida pelo Papa ás Rainhas católicas.
A rosa de Ouro papal tinha um grande valor simbólico desde o sec.XI, quando Leão XI ao isentar o Convento de Santa Cruz de Woffenheim, condicionando essa isenção ao envio anual duma rosa de ouro à Santa Sé

A partir da segunda metade do século XX, as concessões da Rosa de Ouro tornaram-se mais raras, e foram todas conferidas a lugares, a maioria a santuários. Assim, a outorga da Rosa de Ouro pode ser considerado um grande privilégio.

A maior parte das Rosas de Ouro foram fundidas por seus destinatários, para reutilização do ouro, com fins monetários. Os exemplares antigos que subsistem são poucos

>>>>> Discurso de Pio XII quando da atribuição da Rosa de Ouro à catedral de Goa

É com vivo prazer que vemos esta luzida assistência, à austera cerimónia que estamos para realizar e que consagra a extraordinária distinção que a Santa Sé Apostólica quer dar à Catedral da nobre cidade de Goa para ser conservanda no Santuário do Bom Jesus, e nela à Nação fidelíssima. Não é a primeira vez que a Portugal cabe tão honorífica distinção. Bastaria lembrar a Rosa de oiro que Nosso grande predecessor Leão XIII mandou em 1892 à saudosa Rainha D. Amélia; e antes dela a Rosa de oiro concedida à igreja de S. Antonio de' Portoghesi, uma das duas igrejas que na cidade de Roma compartilham esta glória com as grandes basílicas.

Mas Nós nesta hora lembramos especialmente a Rosa de oiro que por bem duas vezes o grande Pontífice Leão X mandou a Dom Manuel primeiro, pelos insignes serviços prestados à causa da fé, com a venturosa epopéia do Oriente; epopéia que preparou o campo e forneceu os meios que tornarem possível o maravilhoso apostolado de S. Francisco Xavier; o qual por sua vez havia de ser o melhor expoente e o mais prodigioso realizador da vocação missionária de Portugal.

(Discurso do papa Pio XII em 1953)
  • Outubro-Festa Comemorativa do 4º Centenário da descoberta da América.
Portugal fez-se representar nas festas comemorativas levando para essa exposição um modelo da caravela S.Rafael com que Vasco da Gama efectuara a primeira viagem à Índia
  • Outubro,23-Eleições gerais de deputados-regeneradores renovam a maioria obtida em Março de 1890.
Dias Ferreira consente que os regeneradores renovem a maioria dos deputados , obtendo 52 deputados, contra 33 progressistas, 26 dos seus próprios deputados e 8 independentes e 4 republicanos.

No circulo de Lisboa os republicanos obtém 25 % dos votos, e elegem Jacinto Nunes e João Chagas por acumulação de votos, sendo os outros eleitos Rodrigues de Freitas pelo Porto e Teixeira de Queirós por Santiago do Cacém

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Heliodoro Salgado-Teórico do livre-pensamento


Assim titula Amadeu Carvalho Homem um texto sobre Heliodoro Salgado, um nortenho nascido no concelho de Santo Tirso, que começou a sua carreira profissional pelo magistério primário, mas que cedo trocaria pela de jornalista, com colaboração em vários títulos.

Envolveu-se em diversas querelas por força dos artigos que publicava, valendo-lhe pelo menos em 2 ocasiões a penas de prisão.
A questão religiosa era nuclear no seu pensamento, exprimindo-se com ideias como :
  • a origem das ideias, têm origem nas sensações, que só nos referem o mundo material; logo não temos a mínima ideia do que serão substâncias espirituais.
  • declarando guerra a todas as todas as religiões em nome do livre-pensamento
  • associando todas as religiões , primeiramente com o despotismo teocrático, por suprimirem no homem a independência da razão e depois com a contestação política, natural no seu tempo, onde a influência católica se confundia com os princípios políticos.
Membro do Partido Republicano, praticamente desde o início, deu o seu contributo para a laicismo do republicanismo, essencial no seu ideário.Dificilmente haveria melhor teorização desses princípios laicos, do que o seu materialismo ateu exprimia.

Maçon, como não poderia deixar de ser, viria a falecer em Lisboa em 1906, correndo o boato que teria sido vitima duma verdadeira cabala clerical, transformou o seu enterro numa enorme manifestação popular.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Governo de Dias Ferreira-Janeiro de 1892


Este governo chefiado por Dias Ferreira, (bisavô de Manuela Ferreira Leite, que foi ministra das Finanças do governo de Durão Barroso), foi o governo da história recente da monarquia constitucional, que sujeitou o País a políticas mais violentas.

O governo foi apresentado a 18 de Janeiro de 1892 e logo a 30 desse mês Oliveira Martins, apresenta ao país "a extensão das nossas amarguras", equivalente a um défice de 10.000 contos, equivalente a 25% das receitas e uma dívida de 23.000 contos.
Para evitar a bancarrota, fora propostas algumas medidas
  • lançamento duma taxa entre 5 a 20%, sobre ordenados, soldos e pensões
  • dedução de 30% nos juros de dívida pública interna
  • adicionais de 10 a 20%, à contribuição pessoal, sumptuária, rendas de casa e industrias
  • corte em todas as despesas supérfluas de serviço público, como por exemplo o subsídio ao teatro S.Carlos
  • suspensão indefinidamente das admissões na função pública
  • estabelecer um acordo com os credores externos, para renegociar a dívida.
Também o rei, se solidarizou com a nação, cedendo 20% das suas despesas a inserir no orçamento, chegando mesmo a propor, uma nova fonte de receita, aos seus ministros, a instituição de um "bilhete de identidade"de apresentação obrigatória, pelos cidadãos em todos os actos públicos, contas por alto feitas por ele e a 100 réis cada bilhete, poderia render ao Estado cerca de 1000 contos num ano.

O deputado Ferreira de Almeida propõe novamente a venda das colónias para se fazer face ao défice , excluindo da venda apenas Angola e a Índia.


Havia algumas ideias, muito embora estas não tivessem seguimento, a miséria grassava no país e tornava-se necessário tomar medidas.

Com estas propostas Oliveira Martins também pretendia intimidar os partidos no parlamento, por forma a obter alguma acalmia política.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

A escolha de Oliveira Martins

(Oliveira Martins)

Perante a demissão de Mariano de Carvalho, as particularidades da vida política portuguesa vêm de novo ao de cima. O rei convidou Oliveira Martins, para assumir a pasta da Fazenda. Não era a primeira vez que D.Carlos, convidava este engenheiro militar para essa função, que anteriormente recusara.

A proximidade com o rei e a promessa expressa por este de ser aberto um rigoroso inquérito sobre as questões da Companhia dos Caminhos-de-Ferro, levaram-no a aceitar não sem antes ter "exigido" a entrada no governo de "outra pessoa".

Tratava-se de José Dias Ferreira que Oliveira Martins queria para chefe do governo, contra a vontade do rei, que queria uma personalidade Regeneradora, como o conde de Valbom, que por certo manteria os ministros anteriores, pertencentes aquele partido.

Como membro do partido socialista era exactamente isso que Oliveira Martins, não queria,além de precisar duma pessoa que soubesse cativar os descontentes e os radicais, para resistir aos grupos partidários mais poderosos.

O prestígio de Oliveira Martins, independentemente das sua qualidade enquanto, engenheiro responsável pela construção de caminhos-de-ferro, advinha dos seus livros sobre aspectos históricos da vida portuguesa e ibérica.

Já em 1886, eleito deputado por Viana do Castelo e chamado Luciano de Castro a formar governo, não entrará no governo progressista porque as Finanças (a «Fazenda») são dadas a Mariano de Carvalho e ele recusa as Obras Públicas.

José Dias Ferreira, era deputado pelo círculo de Aveiro, eleito pelo seu prestígio pessoal.embora o partido Constituinte que havia fundado já não existisse. Professor da Universidade de Coimbra, um dos advogados mais ricos do País e grão-mestre da Grande Loja dos Maçons Antigos , era aos 55 anos o homem indicado segundo Oliveira Martins.

Face a essa situação, o rei D. Carlos , resolveu chamá-lo a formar governo

O convite foi aceite e esta solução extra-partidária e de iniciativa real ficou conhecida como o governo da acalmação partidária .

Aparentemente os papéis estavam invertidos, não foi o chefe do governo a escolher ministros, foi um ministro que escolheu o seu chefe.

Mais uma vez, tudo passava pelo rei, mas ele não podia, ou evitava, impor a sua vontade. Os políticos negociavam através do rei, mas não se lhe submetiam.