Mostrar mensagens com a etiqueta Barros Gomes. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Barros Gomes. Mostrar todas as mensagens

domingo, 7 de outubro de 2007

Acontecimentos ano 1889



Outubro,19-Morte de D.Luís I e início do reinado de D.Carlos I que durará 19 anos

Outubro,20-Eleições legislativas com vitória do partido progressista. Os republicanos mantêm 2 deputados

ver resultados das eleições clicando aqui

Novembro,03-Eleições municipais

Novembro,08-Expedição de Serpa Pinto e Álvaro Castelões à região do Largo Niassa é atacada pelos Macolocos.


Novembro,11-Remodelação governamental.

Novembro,15-Nasce em Lisboa o infante D.Manuel, filho de D.Carlos I e D.Amélia.

Novembro 25-O governo britânico protesta pela decisão de Portugal de considerar os territórios entre Angola e Moçambique dependentes de Portugal.

Novembro,29-Barros Gomes, enviou ao embaixador em Londres, Luís de Soveral, a justificar o ponto de vista português, na questão do Mapa Cor-de-Rosa.

Dezembro,07-Chega a Lisboa o Imperador do Brasil D.Pedro II, deposto no dia 15 de Novembro, por golpe militar republicano

Dezembro,11-O governo britânico declara não permitir que os seus direitos fossem postos em causa, na questão do Mapa Cor-de-Rosa.

Dezembro,18-Confirmação solene do baptismo do infante D.Manuel na capela do Paço de Belém.

Dezembro,28-Cerimónia de aclamação de D.Carlos como rei.








segunda-feira, 9 de abril de 2007

O Ultimato Inglês-Os dias seguintes

(Henrique Barros Gomes)

O rei convocou de imediato, para o dia seguinte o Conselho de Estado, para se debater a resposta a dar ao ultimato inglês. Se quanto á resposta a dar não havia dúvida de qual seria, a preocupação dominante de todas as forças politicas envolventes, foi a de como salvar a face e se possível ganhar dividendos, assacando culpas a terceiros e alijando responsabilidades.

Nesse dia o D.Carlos, não se pronunciou, limitou-se a ouvir as opiniões e os argumentos evocados, certo de que para além das várias nuances políticas , a resposta só podia ser a da aceitação das exigência inglesas.


O partido Regenerador "esquecido", que a intenções sobre o alargamento da influência portuguesa em África com a criação do mapa cor-de-rosa lhe havia pertencido insinuava que a questão tinha começado, devido á política germanófila de Barros Gomes, o ministro Progressista dos Negócios Estrangeiros do governo de Luciano de Castro, argumentando que uma vez demitidos os progressistas, voltariam as boas relações com os ingleses.


O governo insiste, no ponto de vista que é ao conselho de Estado que cumpre decidir a resposta a dar, como forma evidente de responsabilizar igualmente os regeneradores que ali tinham assento, enquanto espalhavam a ideia que uma armada inglesas se preparava para atacar Lourenço Marques.


A submissão à Inglaterra foi conhecida na manhã de 12 de Janeiro e nessa mesma noite a multidão em Lisboa, enfurecida apedrejou a casa de Barros Gomes e o consulado inglês, mas curiosamente no resto do País nada se passou.

O último acto político de Barros Gomes foi o pedido de desculpas ao representante inglês em Portugal, já que no dia 13 de Janeiro de 1890, Luciano de Castro anunciou na sede do partido que havia pedido a demissão.


No dia 14 do mesmo mês foi anunciado um novo governo presidido por António de Serpa, contra a vontade dos Progressistas que teriam preferido a nomeação dum "governo nacional", independente que deixasse intacta a sua maioria no Parlamento,

Desta forma a nomeação deste governo Regenerador, deixava antever para breve a inevitabilidade de novas eleições.

sábado, 24 de março de 2007

Os partidos políticos


(Caricatura de Bordalo Pinheiro
Anselmo Braancamp distribuindo panfletos, seguido de Luciano de Castro, antes das eleições de 1879)

O século XIX em Portugal, nomeadamente após o advento do liberalismo, foi caracterizado por grande instabilidade política partidária, num regime constitucional, muito embora a afirmação hegemónica do Partido Regenerador da Fontes Pereira de Melo de cariz conservador, que colhia o proverbial favoritismo real.

As principais forças de oposição a esse partido são os denominados Históricos, chefiados pelo Duque de Loulé e os reformistas de Alves Martins, mas que desempenhavam um papel claramente subalterno.

Parecia pois ser fundamental reconhecer a necessidade de reorganizar o espectro partidário oposicionista.

Em 1876 foi firmado um pacto entre estas forças conhecido pelo Pacto da Granja que aglutinou num chamado Partido Progressistas estas duas forças.

O rotativismo podia agora assumir novos contornos, com as novas condições criadas, pela convergência encontrada pelo programa progressista claramente liberal em contra-ponto ao conservadorismo fontista.Essa a teoria a prática foi contudo bem diferente.

Desde a Granja até á sua morte foi Anselmo Braancamp, quem chefiou o Partido Progressista, tendo José Luciano de Castro assumido então a chefia desse partido em 10 de Dezembro de 1885, numa disputa bem cerrada como não podia deixar de ser na época.

Luciano de Castro representou o triunfo de centrismo nesse partido balizado por outras candidaturas como Mariano de Carvalho, Barros Gomes ou João Crisóstomo. Assume a chefia do primeiro governo Progressista em 20 de Fevereiro de 1886, sendo o primeiro ministro quando da morte de D.Luís I, continuando já depois da aclamação de D.Carlos I, até ao dia 14 de Janeiro de 1890 na sequência do ultimatum inglês, que adiante se abordará.

Mas o panorama partidário , não se resumia ao Progressistas e aos Regeneradores, havia que levar em contas outras forças minoritárias como o Partido Socialista fundado em 10 de Janeiro de 1875 que se dizia marxista, os avilista, seguidores de António José de Ávila o chefe de governo do gabinete de interregno entre os fontista e o primeiro governo progressista.

Enfim um grande confusão

Conforme escrevia Ramalho Ortigão, o monarca lavrou então o decreto mandando o seu antigo ministério bochechar e encarregou o senhor marquês de Ávila e Bolama de reunir com os seus amigos o número de dentes necessários para formar uma gerência duradoura e firme

O mesmo autor observava que em Portugal em vez da lógica conservadores/revolucionários

havia uma maioria parlamentar e uma oposição composta de vários grupos dissidentes.
Estes grupos são fragmentos dispersos do único partido existente – o partido conservador – fragmentos cuja gravitação constitui o organismo do poder legislativo.
Estes partidos, todos conservadores, não tendo princípios próprios nem ideias fundamentais que os distingam uns dos outros, sendo absolutamente indiferente para a ordem e o progresso que governe um deles ou que governe qualquer dos outros, conchavaram-se todos e resolveram de comum acordo revesarem-se no poder e governarem alternadamente segundo o lado para que as despesas da retórica nos debates ou a força da corrupção na urna faça pesar a balança da régia escolha.
Tal é o espectáculo recreativo que há vinte anos nos está dando a representação nacional.


Fica a ideia geral da "luta partidária", quando da subida ao trono de D. Carlos I